Brasileiros disputam Mundial de Corrida de Aventura em região selvagem do Canadá

EQUIPE QUASARLONTRA VAI ENFRENTAR 500 KM DE PERCURSO EM REGIÕES INÓSPITAS E ATÉ REMAR PRÓXIMO DE ICEBERGS

 
O Brasil vai estar muito bem representado no Campeonato Mundial de Corrida de Aventura, que começa no próximo dia 1º em Western Newfoundland, no Canadá. A disputa vai ser realizada numa das regiões mais selvagens daquele País, reunindo a elite da modalidade, com a maioria dos times participantes com vitórias em pelo menos uma competição importante. Formada pelos atletas Rafael Campos, Marina Verdini, Fabrízio Giovannini e Luiz Antonio Barbosa, a equipe Mitsubishi Salomon Quasarlontra segue preparada para ficar entre as principais do Mundo, assim como ocorreu no Eco Challenge Fiji, em 2002, quando terminaram em 12º lugar, sendo a 1ª latino-americana a cruzar a chegada e o melhor resultado brasileiro nesse esporte.
A prova tem como lema “Selva Real, Navegação Real, Aventura Real” e promete ser uma avaliação dos limites dos melhores times. “As informações recebidas pelos competidores deixa evidente que essa será uma competição de alto nível, que representará o verdadeiro espírito das corridas de aventura, onde a navegação e o poder de decisão da equipe são indispensáveis para se cruzar a linha de chegada”, destaca o capitão da equipe brasileira, Rafael Campos. “Os organizadores não querem que o fator sorte influencie no resultado final, exigindo ao máximo do preparo psicológico e físico dos atletas”, acrescenta Luis Antonio, um dos melhores navegadores do Brasil.
Os atletas vão percorrer 500 quilômetros ininterruptos, enfrentando várias dificuldades, nas modalidades trekking, orientação, mountain bike, técnicas verticais e remo em caiaques oceânicos e embarcações locais, os “Dorys”. Eles terão pela frente florestas sem trilhas demarcadas; trajetos de bike com constantes aclives e declives, trilhas abandonas e muitas pedras; rapel e ascensão com mais de 100 metros de altura; e remadas, que prometem ser duras e longas, em águas gélidas, passando próximos de icebergs, baleias, leões marinhos.
“Vamos ter de estar preparados para tudo. Há o perigo das baleias atropelarem os caiaques e o frio vai ser intenso, inclusive com icebergs. A temperatura média da água durante o dia é de 12 graus e à noite pode cair a 5 graus. Por isso vai ser obrigatório o uso de neoprene com, no mínimo, 4 milímetros de espessura. São regiões inóspitas, nos preparamos muito bem e a navegação vai ser fundamental para concluirmos a prova”, comenta Marina.
O desafio terá de ser vencido em até sete dias. Não existirá equipe de apoio e os atletas deverão ser totalmente auto-suficientes (a organização transportará as caixas de equipamentos das equipes às áreas de transição). As principais equipes do Mundo estarão competindo, como a Nike, Golite e Montrail (Estados Unidos), a Nokia Adventure (Finlândia), Seagate (Nova Zelândia) e AXN Merrel (Argentina).
O local da prova é uma ilha a nordeste do Continente. É o ponto mais próximo do Continente Europeu e, segundo a história, foi por lá que chegaram as primeiras embarcações vikings. Passarão por paisagens exuberantes, regiões inóspitas, com penhascos na costa, que podem atingir até 300 metros. “A equipe vem se preparando desde o início do ano para enfrentar tudo. E com muita determinação, garra, representaremos o Brasil com imenso orgulho. Vamos para fazer o melhor possível”, destaca Fabrízio.
Vale destacar que a equipe Mitsubishi Salomon Quasarlontra conta, também, com o experiente Victor Lopes, o Vitão, que desta vez não participará. A Mitsubishi Salomon Quasarlontra garantiu vaga no Mundial com o 2º lugar conquistado no EMA Amazônia em 2001 (que na época fazia parte do Circuito Mundial), vencido pela finlandesa Nokia Adventure.
TRANSMISSÃO PELA INTERNET - Toda a prova poderá ser acompanhada on line via internet pelo site www.raidthenorth.com. As equipes vão portar um GPS lacrado, que transmitirá à organização a localização exata, em tempo real.
 
 
Casal Rafa e Marina divide vida amora e esportiva
 
Num relacionamento amoroso a palavra “aventura” é sinônimo de traição, mas para o casal Rafael Campos e Marina Verdini significa exatamente amor, convívio e relacionamento. Dois dos melhores atletas de corridas de aventura do País e do Mundo, eles competem juntos na equipe Mitsubishi Salomon Quasarlontra, desde 2001, são namorados e se conheceram justamente durante uma disputa na modalidade, em 2000. Eles competem em todas as provas juntos e sabem muito bem distinguir a vida amorosa e a esportiva.
Se convivência de qualquer casal é difícil quando surgem os problemas, para os dois, as corridas de aventura, onde é comum passar por adversidades, enfrentar picos de stress físico e emocional, ajuda no relacionamento. “Stress existe, sem dúvida. Emboca cada vez sejam menores. Hoje em dia a Marina sabe que o Rafael na véspera e durante a prova, embora seja seu namorado, é o capitão e navegador da equipe e terá sua cabeça e concentração voltados para o bom desempenho na disputa. Os dois sabemos bem distinguir bem as situações”, ressalta.
Ele lembra que o esforço físico extenuante, a privação de sono, má alimentação e outros fatores os deixam muito mais nervosos e pouco perceptíveis e os gritos e discussões gerados durante uma disputa são resultados de uma situação da prova. “No decorrer da competição ou ao final acertamos tudo. E para o dia a dia isto acaba sendo benéfico. Avaliamos os erros e as nossas falhas e a confiança aumenta”, acrescenta. “Realmente, o stress nas provas pode atrapalhar ou ajudar. Depende de como o casal irá lidar com eles. Nós sabemos dividir bem”, completa Marina.
 
 
Fabrízio usa as provas como motivação para a carreira de empresário
 
Ele participa de corridas de aventura desde a 1ª edição do EMA - Expedição Mata Atlântica, em 1998. Está hoje na principal equipe do País e garantiu o melhor resultado do Pais numa prova internacional, no Eco Challenge Fiji. Mas quem pensa que a dedicação é exclusiva ao esporte está enganado. O paulistano Fabrízio Giovannini é um empresário e tem de dividir bem o seu tempo, para administrar sua empresa, treinar e competir.
“Não é fácil, já que tenho muitas responsabilidades. Mas pude perceber que o esporte me dá a serenidade e clareza de idéias para tomar decisões melhores”, ressalta. “O tempo dedicado em treinamentos e competições é um investimento em qualidade de vida, que retorna também como forma de maior capacidade de trabalho, de suportar pressões, de tolerar stress e uma maior estabilidade emocional”, comenta.
“Além disso, é preciso um pouco de criatividade, planejamento e disciplina para encaixar tudo nas 24 horas do dia, inclusive a família, os amigos, os estudos, que continuam e as aulas na faculdade”, descreve. Para potencializar o tempo, Fabrízio se desloca para o trabalho quase sempre correndo ou pedalando. “Não vejo televisão e não tenho cachorro, que acho monumentais perdas de tempo”, brinca o atleta-empresário.
“O mais importante de tudo é que tenho uma esposa, a Márcia, que me entende, me apóia e cuida de mim, das crianças e da minha vida particular como ninguém. Sem ela seria impossível tocar tantas atividades simultaneamente”, declara o apaixonado competidor.
Ele destaca que as provas de aventura lhe ensinaram muitos valores para a sua vida. “Nosso esporte nos leva ao extremo e nos faz enxergar a vida com outros olhos. Você percebe que ela é, em sua essência, muito simples. Que as coisas importantes são realmente a família, os amigos e sua saúde. Você pode viver bem com muito pouco”, diz o atleta, que também usa a experiência no trabalho.
“Assim é possível formar e liderar equipes de trabalho comprometidas e eficazes. Nas corridas de aventura se aprender que as pessoas só dão o sangue por razões que consideram nobres e para apoiar companheiros que respeitam, confiam e admiram. No trabalho é a mesma coisa”, relata.
 
 
PERFIL DA EQUIPE MITSUBISHI SALOMON QUASARLONTRA NO MUNDIAL DE CORRIDA DE AVENTURA
 
Rafael Reyes de Campos
Oficial da reserva do Exército, 27 anos. Formado em Administração de Empresas pela PUC. É praticante de corrida de aventura desde 1999, guia de rafting e socorrista. Navegador e capitão da equipe QuasarLontra. Experiência em mais de 40 corridas nacionais e internacionais. Diretor da IDEAL, empresa que realiza treinamentos corporativos motivacionais. Palestrante e instrutor de primeiros socorros, orientação, técnicas verticais e duck. Coordenador da escola de aventura.
 
Marina Verdini
Personal trainer, 29 anos, formada em esporte USP/SP, com especialização na UCSD (Califórnia/EUA). Ex-triatleta, é professora da Academia Reebok e guia de rafting. Considerada a melhor corredora de aventura do Brasil, segundo Guia Ecoadventure e revista Trip. Participa de corrida de aventura desde 2000, com experiências em provas internacionais. Atleta feminina com maior número de títulos nas corridas de aventura.
 
Fabrízio Giovannini
40 anos. Empresário industrial, 40 anos: suas empresas são certificadas ISO9002, QS9000 e ISO14000. Professor universitário e administrador pela FGV, MBA pela FIA-FEA-USP e Mestre em Administração pela FEA-USP. Autor de livro "Organização Eficaz". É atleta competitivo há mais de 25 anos, tendo se iniciado no atletismo, passando ao triathlon e em 1998 às corridas de aventura.
 
Luiz Antonio Barbosa
Sargento do Exército, cursando o 4º ano de Educação Física, 38 anos, Um dos melhores navegadores do Brasil, com diversos títulos paulistas, brasileiros e sul-americanos em orientação. Possui também excelentes resultados de corrida de aventura. Começou na modalidade em 2000 com a equipe Lontra Radical. Ministra cursos de orientação.
 
 
OS PRINCIPAIS RESULTADOS DA MITSUBISHI SALOMON QUASARLONTRA
 
- 12º lugar Eco Challenge Fiji 2002 - melhor equipe latino-americana na edição e melhor resultado de uma equipe brasileira na história do Eco-Challenge;
- 5º Lugar Desafio dos Vulcões 2004 - Patagônia Argentina/Chile;
- Campeã do Circuito Ecomotion 2001, composto por 3 etapas;
- Campeã invicta do Circuito Ecomotion 2002, composto por 3 etapas;
- Vice-Campeã EMA 2001 - Amazônia (1ª equipe brasileira);
- Vice Campeã EMA 2000 (1ª equipe brasileira);
- Vice-Campeã Rio-Eco 2000;
- Campeã EMA 1999;
- 1º Lugar Adventure Camp 2004 - Etapa Campos do Jordão;
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1º Lugar Short Adventure 2004 Ubatumirim - Categoria Mista, Geral e Master;
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1º Lugar Short Adventure 2004 Itirapina - Categoria Mista, Geral e Master;
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4º Lugar Ecomotion Pró – Chapada Diamantina 2003;
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1º Lugar Expedição Chauás - Cananéia 2003;
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1º Lugar Short Adventure 2003 Etapa Guaratuba - Categoria Mista e Geral;
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1º Lugar Expedição Chauás - Juquiá 2003;
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1º Lugar Short Adventure 2003 Etapa Joanópolis - Categoria Masculina, Geral e Mista;
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Campeã brasileira e paulista de canoas havaianas 2003;
- 1º Lugar Z-Games / Desafio Globo – 2002;
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1º Lugar Short Adventure Etapa USP / 2002.
 
 
Corridas de aventura: a busca de emoção, superando os limites
 
Enfrentar desafios naturais, superar limites pessoais. Considerado o esporte do futuro, as provas de aventura estão atraindo, cada vez mais, adeptos de várias modalidades, que competem ávidos na busca de emoção. Unindo diversas atividades “outdoor”, como trekking, mountain bike, canoagem, técnicas verticais e orientação, com o apelo de proteção ambiental, este tipo de competição exige o limite do participante e é praticada, geralmente em locais nunca explorados pelo homem, em terrenos inóspitos.
A estratégia e a inteligência são tão importantes quanto a resistência física e mental. O conceito é simples: as equipes deixam a linha de partida e “navegam”, passando pelos postos de controle até a linha de chegada o mais rápido que puderem. Na prática, cumprir a prova não é tarefa nada fácil. Considerados verdadeiros “ralis humanos”, as disputas exigem dos competidores um grande preparo. Algumas competições têm até 10, 12 dias, em locais inóspitos, em florestas que muitas vezes não foram exploradas pelo homem.
O percurso é conhecido apenas na véspera da prova. Os concorrentes apenas ficam sabendo quais disciplinas vão enfrentar. As regras e regulamentos oficiais são modificados a cada prova, adaptados a cada novo local. Sono, frio, cansaço extremo e pouco tempo para alimentação devem ser considerados tão adversários quanto as outras equipes. Excelente preparo físico, equilíbrio mental para lidar com problemas de relacionamento e suportar privações são características fundamentais para o atleta de corrida de aventura. Sem contar o gosto por atividades em equipe e o bom humor.

 
FMA NOTICIAS - FÁBIO MARADEI (MTB 22.214)
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22/ 07/ 04
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